Uma ilustração colorida de várias espécies de peixes na água e folhagem ao redor.
Peixes esquecidos da Amazônia Imagem de Confucio Hernández Makuritofe, pesquisador e artista indígena do povo Muina Nɨpode da Amazônia colombiana. © Confucio Hernández Makuritofe
Histórias

Relatório Peixes Esquecidos da Amazônia

Como a extraordinária diversidade de peixes de água doce é essencial para as pessoas, os rios e as florestas

O que significa ser esquecido?

Os peixes da Amazônia não são esquecidos pelos Povos Indígenas e pelas comunidades ribeirinhas que vivem às margens desses rios há gerações e dependem deles. Como nos lembra a líder indígena Fany Kuiru, nas visões de mundo indígenas “nenhum ser da natureza jamais é esquecido.”

No entanto, esses peixes têm sido frequentemente negligenciados nas políticas, nos investimentos e nas prioridades de conservação que determinam seu futuro.

Para enfrentar essas questões, 54 autores de 43 instituições colaboraram na criação do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia. Reunindo diferentes vozes e conhecimentos especializados, o relatório converge em torno de uma mensagem comum:

Tornar impossível ignorar aqueles que foram esquecidos.

Foto de Fernanda Silva.

Os peixes da Amazônia continuam sendo negligenciados, apesar de sua importância para os ecossistemas, as culturas e a segurança alimentar. Este relatório busca garantir que sejam incluídos nas agendas de políticas públicas e de conservação.

Fernanda Silva, cientista de conservação da pesca de água doce na Amazônia

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Os peixes são o coração da Amazônia

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Um homem segura um pequeno peixe marrom com pintas no corpo.
Peixe-gato-blindado Seus corpos blindados e suas poderosas bocas de sucção fazem deles mestres das águas de correnteza. © Ricardo Oliveira

Biodiversidade incrível

A Amazônia não é apenas a maior bacia hidrográfica da Terra. Ela também abriga a maior diversidade de peixes de água doce do planeta.

Mais de 2.700 espécies vivem aqui, representando cerca de 15% de todas as espécies de peixes de água doce conhecidas pela ciência.

E aproximadamente dois terços dessas espécies não são encontrados em nenhum outro lugar.

Apesar de séculos de exploração, cientistas ainda continuam descobrindo novas espécies e até mesmo famílias inteiramente novas.

Um pescador de chapéu está em pé em uma canoa segurando um grande peixe pirarucu.
Pesca do pirarucu Um pirarucu capturado com uma lança tradicional na Amazônia brasileira. © Ricardo Oliveira

Integrados à cultura

Mas esses peixes são muito mais do que números sobre biodiversidade.

Eles alimentam milhões de pessoas. Carregam culturas, identidades e conhecimentos. Sustentam meios de vida. Transportam nutrientes pelas redes tróficas, e alguns dispersam sementes pelas florestas alagadas, ajudando a floresta a se regenerar.

Quando falamos de peixes, estamos falando de alimentos, cultura, economias, florestas e pessoas.

Quando os peixes desaparecem, muito mais desaparece com eles.

© Leandro Sousa

Peixes em perigo

Apesar de sua importância, os peixes amazônicos enfrentam pressões crescentes e cumulativas causadas por barragens, desmatamento, poluição, sobrepesca, espécies invasoras e mudanças climáticas.

Declínio da biodiversidade

Em todo o mundo, a biodiversidade de água doce está diminuindo mais rapidamente do que a biodiversidade de qualquer outro ecossistema.

Precisamos agir agora

Em apenas algumas décadas, as populações da fauna de água doce diminuíram, em média, 85%.

A saúde da bacia amazônica depende da cooperação transfronteiriça.

Uma ilustração que mostra vários tipos de peixes nadando debaixo d'água em um rio, enquanto duas pessoas em uma canoa, acima da água, operam uma rede de pesca.
Ilustração de Confucio Hernández Makuritofe um pesquisador e artista indígena do povo Muina Nɨpode, da Amazônia colombiana. Seu trabalho integra pesquisa cultural, ilustração e conhecimentos ancestrais sobre a flora e a fauna amazônicas, aumentando a visibilidade do conhecimento indígena e promovendo uma maior conscientização sobre a biodiversidade.

Um plano de recuperação

Também há esperança: sabemos o que fazer. O destino dos peixes amazônicos depende da nossa capacidade de compreender a bacia como um sistema interconectado e em fluxo constante.

O Plano Emergencial de Recuperação, desenvolvido por 25 autores de 14 organizações, destaca a crise global da biodiversidade de água doce e apresenta seis ações prioritárias para orientar políticas destinadas a reverter a perda de biodiversidade.

  1. Permitir que os rios fluam de forma mais natural
  2. Proteger e restaurar a conectividade
  3. Acabar com as práticas não sustentáveis
  4. Proteger habitats e espécies essenciais
  5. Prevenir invasões biológicas
  6. Melhorar a qualidade da água

Em todas as seis ações, três princípios são essenciais: pensar na escala da bacia, colocar os Povos Indígenas e as comunidades locais no centro e conectar a ciência e os conhecimentos às políticas e aos investimentos.

O futuro dos peixes amazônicos ainda está em nossas mãos, mas precisamos agir agora.